Um ciclone extratropical – classificado como “ciclone-bomba” quando ocorre uma queda muito rápida da pressão central em aproximadamente 24 horas – avançou do Sul em direção ao Sudeste, com rajadas próximas a 110 km/h.
Eventos dessa intensidade podem provocar ventos fortes, chuva intensa, ressaca marítima, inundações e, em alguns casos, tornados isolados, causando impactos sobre pessoas, residências, empresas, veículos, infraestrutura e outros patrimônios.
Fenômenos meteorológicos intensos como esses reforçam a importância da prevenção, da preparação e da gestão de riscos. Como orientação da Baylis Seguros, que atua em consultoria e corretagem com foco em blindagem estratégica, reunimos neste conteúdo medidas práticas para reduzir riscos, proteger pessoas e bens e facilitar a recuperação após um eventual sinistro.
As recomendações apresentadas não constituem uma oferta de produtos, mas orientações objetivas que podem ser associadas a estratégias de seguro, proteção patrimonial e resiliência.
Antes do evento: preparação e mitigação
A preparação antecipada pode reduzir significativamente a probabilidade e a intensidade dos danos.
Mapeie os riscos locais
Identifique se sua propriedade está localizada em áreas sujeitas a inundações, encostas, várzeas, margens de rios ou próximas ao mar, onde também pode haver risco relacionado à ressaca e às marés de tempestade.
Prefeituras, órgãos de Defesa Civil e agências ambientais municipais costumam disponibilizar mapas e informações sobre áreas de risco.
Tenha um plano de emergência
Famílias e empresas devem estabelecer previamente contatos de emergência, rotas de evacuação e pontos de encontro.
Também é recomendável manter um kit de emergência com água, rádio ou lanterna com pilhas, medicamentos e cópias de documentos armazenadas em embalagens impermeáveis.
Proteja portas e janelas
Instale contraventanas, venezianas de alta resistência ou utilize reforços temporários, como compensado ou tábuas, em janelas que possam ser atingidas por detritos.
Vidros laminados também podem reduzir o risco de estilhaçamento.
Retire ou fixe objetos externos
Bancos, vasos, estruturas leves e telhas soltas devem ser retirados das áreas externas ou firmemente ancorados.
A poda preventiva de árvores também pode reduzir o risco de quedas sobre telhados, veículos e redes elétricas.
Reforce coberturas e estruturas
Verifique a fixação de telhas, rufos e cumeeiras, além dos forros e pontos de amarração do telhado.
Uma cobertura adequadamente fixada pode reduzir significativamente os danos provocados por ventos fortes.
Proteja sistemas elétricos e equipamentos
Sempre que possível, utilize dispositivos de proteção contra surtos (SPD) e sistemas de backup ou geradores em edifícios e operações críticas.
Em áreas sujeitas a alagamentos, considere elevar quadros elétricos e equipamentos sensíveis.
Reduza os riscos provocados pela água
Vedações em portas, elevação de móveis e equipamentos sensíveis e instalação de válvulas de retorno em redes de esgoto são algumas medidas que podem ajudar a reduzir danos provocados por inundações.
Durante o período de aviso ou alerta
Quando houver previsão de um evento severo, algumas medidas devem ser tomadas imediatamente.
Acompanhe os alertas oficiais
Monitore os canais da Defesa Civil, serviços meteorológicos e autoridades locais.
Caso seja emitida uma ordem de evacuação, siga as orientações das autoridades.
Desligue energia e gás quando necessário
Em situações de inundação iminente, desligue o disjuntor geral e o fornecimento de gás, desde que seja seguro realizar o procedimento.
Isso ajuda a reduzir riscos de choques elétricos, incêndios e vazamentos.
Proteja documentos e equipamentos
Coloque documentos, equipamentos eletrônicos e objetos de valor em embalagens impermeáveis e, sempre que possível, em locais elevados.
Evacue com antecedência
Se sua região estiver em área de risco e houver recomendação de evacuação, não espere o agravamento da situação.
Vias de acesso podem ficar bloqueadas ou intransitáveis posteriormente.
Durante o evento: segurança das pessoas em primeiro lugar
Durante a ocorrência do fenômeno, a prioridade deve ser sempre a proteção das pessoas.
Abrigue-se em um local seguro
Prefira cômodos internos, sem janelas, como corredores centrais ou banheiros internos.
Mantenha o uso de rádio e celular restrito às situações necessárias para preservar a bateria e facilitar a comunicação em caso de emergência.
Nunca atravesse áreas inundadas
Não atravesse áreas alagadas a pé ou de carro.
Mesmo correntes de água aparentemente rasas podem ser extremamente perigosas, e veículos podem ser arrastados pela força da água.
Após o evento: segurança, documentação e preservação de provas
Depois que o evento passar, os primeiros procedimentos são importantes tanto para a segurança quanto para eventual processo de recuperação ou sinistro.
Retorne somente quando houver liberação
Só retorne ao imóvel quando as autoridades informarem que a área está segura.
Tenha atenção especial a cabos elétricos caídos, vazamentos de gás e estruturas comprometidas.
Documente os danos
Fotografe e filme os danos antes de iniciar a limpeza ou os reparos.
Essa documentação pode ser fundamental em processos de sinistro.
Também mantenha registros dos reparos emergenciais realizados, incluindo prestadores de serviço, materiais utilizados e respectivos recibos.
Faça reparos provisórios
Quando necessário, realize reparos temporários para evitar que os danos se agravem, como a instalação de lonas ou a substituição provisória de telhas.
Sempre que possível, guarde os recibos e comprovantes dessas despesas.
Conte com a comunidade
Em situações de grande impacto, redes locais podem ajudar na organização de apoio e assistência.
A Defesa Civil costuma centralizar informações sobre abrigos, atendimento e outras medidas de emergência.
Proteção patrimonial: medidas que reduzem riscos futuros
Além das ações emergenciais, existem medidas estruturais que podem aumentar a resiliência de imóveis e empresas.
Avaliação estrutural
Após um evento severo, considere contratar um engenheiro para realizar uma vistoria estrutural.
Medidas como ancoragens, tirantes e reforços de telhado podem reduzir riscos futuros.
Paisagismo e arborização
Planeje o plantio e a poda de árvores considerando a proximidade das edificações.
Evite espécies com maior risco de tombamento em áreas próximas a imóveis, veículos e estruturas críticas.
Drenagem e bombeamento
Sistemas de drenagem perimetral, sarjetas adequadas e bombas de água em subsolos e garagens podem reduzir o tempo de permanência da água e, consequentemente, os danos.
Proteção elétrica
Eleve quadros elétricos e equipamentos sensíveis em áreas sujeitas a alagamento.
Nobreaks e dispositivos de proteção contra surtos também podem ajudar a proteger equipamentos e instalações.
Organização e armazenamento
Em empresas, mantenha estoques críticos sobre pallets e em áreas elevadas.
Em residências, mantenha documentos, equipamentos e outros itens essenciais em locais altos e secos.
Materiais mais resilientes
Em reformas e novas construções, considere materiais e soluções que favoreçam a resistência e a recuperação após eventos extremos, como coberturas com fixação reforçada, impermeabilização de paredes e pisos e sistemas que permitam uma recuperação mais rápida.
Plano de continuidade dos negócios
Empresas devem estabelecer um Plano de Continuidade de Negócios (BCP), contemplando procedimentos para manter operações críticas, fornecedores alternativos e backups de dados armazenados fora do local ou na nuvem.
Seguro: o que verificar antes de um evento
A proteção financeira deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de gestão de riscos.
Verifique as coberturas
Confira se a apólice contempla danos provocados por vento, granizo, tempestades, inundações e ressaca marítima.
É importante observar que determinadas coberturas básicas podem não contemplar enchentes ou inundações, sendo necessário avaliar a contratação de endosso específico ou cobertura complementar.
Analise limites e franquias
Confira os limites de indenização aplicáveis a imóveis, conteúdos e bens móveis, além das respectivas franquias.
Avalie se os valores contratados são compatíveis com os custos necessários para reconstrução ou reposição dos bens.
Conheça as exclusões e condições
Leia atentamente as exclusões da apólice e as condições contratuais.
Situações como falta de manutenção ou obras não declaradas podem interferir na cobertura, dependendo das condições estabelecidas no contrato.
Mantenha registros de prevenção
Laudos, comprovantes de manutenção e notas fiscais de reparos preventivos ajudam a documentar as medidas adotadas para reduzir riscos e podem ser relevantes durante a regulação de um sinistro.
Avalie lucros cessantes e despesas relacionadas
Para empresas, também é importante verificar a existência de coberturas relacionadas a lucros cessantes e despesas de prevenção ou evacuação, conforme as condições de cada contrato.
Considere soluções paramétricas
Em determinadas situações, seguros paramétricos podem utilizar indicadores previamente definidos, como velocidade do vento ou volume de chuva, para determinar o pagamento.
Esse tipo de solução pode ser complementar às coberturas tradicionais e não necessariamente substituí-las.
Desastres naturais em Santa Catarina: impactos humanos, sociais e econômicos desde 2020
A discussão sobre prevenção e proteção patrimonial ganha ainda mais relevância quando observamos a frequência e a dimensão dos eventos extremos registrados em Santa Catarina nos últimos anos.
Desde 2020, o estado tem enfrentado uma sequência de eventos climáticos extremos, com impactos relevantes sobre a população, a infraestrutura, a agricultura e a economia.
Ciclones, chuvas intensas, enchentes e enxurradas provocaram perdas humanas e materiais e reforçaram a importância de políticas de prevenção, gestão de riscos e proteção patrimonial.
A seguir, estão alguns dos principais eventos e indicadores registrados no período pós-pandemia, com base nos levantamentos e referências reunidos neste material.
Principais eventos e impactos – 2020 até o presente
Junho de 2020 – Ciclone intenso, conhecido como “ciclone-bomba”
Em junho de 2020, um sistema de baixa pressão de forte intensidade atingiu a região Sul do Brasil, provocando ventos intensos, temporais e danos generalizados em Santa Catarina.
No estado, foram registradas rajadas de vento de até aproximadamente 160 km/h, além de apagões em larga escala e danos à infraestrutura urbana e rural.
Compilações regionais apontam aproximadamente 11 mortes em Santa Catarina relacionadas ao episódio.
Fonte: NSC Total — histórico dos principais desastres naturais registrados em Santa Catarina.
Outubro e novembro de 2023 – Chuvas intensas, enchentes e enxurradas
Entre outubro e novembro de 2023, Santa Catarina enfrentou semanas de chuvas intensas, cheias de rios e enxurradas, atingindo diversas regiões do estado.
Segundo dados divulgados pelo Governo de Santa Catarina, os eventos provocaram aproximadamente R$ 1,2 bilhão em prejuízos econômicos e afetaram cerca de 3,6 milhões de pessoas.
O impacto também foi significativo no setor rural: 46.941 propriedades rurais foram afetadas, com perdas registradas em culturas como fumo, trigo e cebola, entre outras.
O episódio também resultou em seis mortes, conforme levantamento divulgado na época.
Fonte: G1 – dados do Governo de Santa Catarina e da Epagri.
O impacto acumulado dos desastres naturais
Os eventos registrados desde 2020 fazem parte de um contexto mais amplo de vulnerabilidade climática em Santa Catarina.
Levantamentos realizados pelo CEPED/UFSC, pelo Atlas de Desastres e pelo Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID/SEDEC) contribuíram para análises realizadas no período de 2022 a 2023, destacando a recorrência de eventos extremos, especialmente aqueles relacionados a chuvas intensas, inundações, enxurradas e outros eventos hidrológicos.
Estudos históricos também ajudam a dimensionar o impacto econômico desses fenômenos.
Um levantamento do CEPED/UFSC citado em análises publicadas em 2023 apontou R$ 31,9 bilhões em prejuízos provocados por desastres naturais em Santa Catarina ao longo de aproximadamente três décadas.
Embora esse valor corresponda a um período mais amplo, de 1991 a 2021, ele ajuda a dimensionar a exposição histórica do estado aos riscos climáticos e os impactos econômicos associados.
Fonte: ND Mais / UFSC – levantamento do CEPED.
2024–2026: prevenção e gestão de riscos
Além dos prejuízos provocados diretamente pelos eventos climáticos, outro aspecto importante para compreender a vulnerabilidade de Santa Catarina é a capacidade de prevenção e preparação para novos desastres.
Reportagens e análises recentes sobre a execução orçamentária no estado apontaram que parte dos recursos destinados à prevenção e à gestão de riscos não foi executada integralmente.
No planejamento relacionado ao período de 2024 a 2027, por exemplo, foram identificadas execuções parciais de investimentos previstos para a área.
Uma reportagem publicada em 2026 apontou que apenas 44% dos recursos previstos para determinada frente de gestão de riscos foram executados em 2024.
A mesma apuração citou aproximadamente R$ 432 milhões em recursos não aplicados em prevenção ao longo de cinco anos.
É importante destacar que esses valores não representam prejuízos causados por desastres. Eles se referem à execução orçamentária e, portanto, devem ser analisados separadamente dos danos econômicos provocados por enchentes, ciclones e outros eventos extremos.
Ainda assim, esses dados são relevantes para compreender a relação entre prevenção, infraestrutura, vulnerabilidade e resiliência diante de eventos climáticos recorrentes.
Fonte: UOL / Deutsche Welle — reportagem sobre riscos de desastres e investimentos em prevenção.
O que os números mostram
Os dados disponíveis indicam que os desastres naturais representam um risco que vai muito além dos danos imediatos provocados por um evento climático.
Em Santa Catarina, os impactos podem alcançar simultaneamente:
- Vidas humanas, com mortes, deslocamentos e perdas sociais;
- Infraestrutura, incluindo residências, estradas, redes elétricas e sistemas urbanos;
- Atividade econômica, com interrupções de operações e perdas materiais;
- Agricultura, especialmente em regiões expostas a chuvas intensas, enchentes e ventos;
- Patrimônio, incluindo imóveis, veículos, equipamentos e outros ativos;
- Empresas, que podem enfrentar paralisações e custos de recuperação;
- Finanças públicas, devido aos gastos necessários para resposta, reconstrução e recuperação.
Por isso, a análise de riscos climáticos precisa considerar não apenas a ocorrência do evento, mas também o nível de exposição, a vulnerabilidade dos ativos e a capacidade de recuperação após um desastre.
Prevenção, proteção e gestão de riscos
A recorrência desses eventos reforça a importância de medidas preventivas em diferentes níveis.
No âmbito público, isso envolve planejamento urbano, sistemas de alerta, infraestrutura de drenagem, obras de contenção, monitoramento meteorológico e preparação das comunidades.
No setor privado, a prevenção também passa pela identificação dos riscos, avaliação dos ativos expostos e adoção de estratégias adequadas de proteção patrimonial e financeira.
Nesse contexto, o seguro pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de gestão de riscos, ajudando pessoas e empresas a reduzir o impacto financeiro de determinados eventos cobertos pelas respectivas apólices.
É fundamental, entretanto, analisar previamente as condições de cada contrato, incluindo coberturas, limites de indenização, franquias, exclusões e condições específicas relacionadas a eventos climáticos.
Checklist prático rápido
Antes
- Mapa de risco;
- Poda preventiva;
- Fixação de telhado;
- Kit de emergência;
- Proteção de janelas;
- Elevação de quadros elétricos.
Durante o aviso
- Acompanhar os alertas oficiais;
- Desligar energia e gás conforme orientação e segurança;
- Guardar objetos soltos;
- Mover veículos para local seguro.
Durante o evento
- Abrigar as pessoas em local interno e sem janelas;
- Evitar deslocamentos desnecessários;
- Não atravessar áreas inundadas;
- Manter comunicação mínima para preservar a bateria.
Depois
- Fotografar e filmar os danos;
- Aguardar a liberação das autoridades;
- Realizar reparos emergenciais para evitar agravamento;
- Guardar recibos e comprovantes;
- Solicitar vistoria técnica quando necessário;
- Acionar a seguradora e registrar o sinistro com a documentação disponível.
Fenômenos como ciclones-bomba exigem uma abordagem combinada de prevenção, preparação e proteção financeira.
Medidas relativamente simples – como poda preventiva, fixação adequada de telhados, proteção de janelas, drenagem e elevação de equipamentos críticos – podem contribuir para reduzir perdas.
Ao mesmo tempo, manter documentação organizada, planos de emergência e continuidade e uma estratégia adequada de seguros pode facilitar a recuperação após um evento severo.
A gestão de riscos começa antes do desastre. Para pessoas e empresas, compreender os riscos aos quais seus patrimônios estão expostos é um passo fundamental para tomar decisões mais conscientes sobre prevenção, proteção e recuperação.
Fontes e referências
CEPED/UFSC – levantamento histórico sobre desastres naturais em Santa Catarina
G1 – chuvas, enchentes e prejuízos registrados em 2023
NSC Total – histórico de enchentes e desastres naturais em Santa Catarina
Revista Geonorte – estudo sobre desastres costeiros
UOL / Deutsche Welle – prevenção e execução orçamentária em Santa Catarina
Referências técnicas
Para informações meteorológicas e definições relacionadas a ciclones extratropicais e ciclogênese explosiva, podem ser consultadas publicações da Organização Meteorológica Mundial (WMO) e de instituições brasileiras como INMET e CPTEC/INPE.
Dados sobre impactos e prejuízos relacionados a eventos climáticos também podem ser encontrados em levantamentos da Epagri, Defesa Civil de Santa Catarina, IBGE e outros órgãos públicos.
Para questões relacionadas à construção, prevenção e reforço estrutural, devem ser consideradas as normas técnicas aplicáveis da ABNT, além de manuais e orientações da Defesa Civil e de entidades de engenharia.
No setor de seguros, a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) disponibiliza informações sobre regulamentação e funcionamento do mercado segurador brasileiro. As condições específicas de cobertura devem sempre ser verificadas nas respectivas apólices e condições contratuais.
Observação: os números apresentados correspondem a diferentes levantamentos, períodos e metodologias. Por isso, os dados de cada evento não devem ser somados automaticamente para produzir um total geral de perdas desde 2020.



