Por que a visão de riscos isolados ficou no passado.

O novo mapa dos riscos corporativos e por que empresas brasileiras precisam repensar sua estratégia de proteção.

Durante muito tempo, empresas enxergaram riscos como eventos isolados, tratados individualmente por diferentes áreas da organização.

Hoje, essa visão deixou de ser suficiente.

O maior desafio das empresas modernas não é apenas identificar riscos, mas compreender como eles se conectam e podem gerar impactos em cadeia.

Uma enchente pode interromper uma fábrica.

Um ataque cibernético pode paralisar uma operação inteira.

Uma decisão de um executivo pode gerar uma disputa judicial milionária.

Uma crise internacional pode afetar uma cadeia de fornecedores em poucos dias.

O ambiente empresarial mudou. E, junto com ele, mudou também a forma como as organizações precisam enxergar seus riscos.

O risco deixou de ser apenas operacional e passou a ser uma variável estratégica para empresas que buscam crescimento, proteção de ativos e competitividade.

 

O cenário atual exige uma nova visão sobre riscos.

O Global Risks Report 2025, publicado pelo World Economic Forum (WEF), mostra uma realidade que líderes empresariais já começaram a perceber: os riscos atuais são mais complexos, conectados e difíceis de prever.

O estudo, que reúne a visão de mais de 900 especialistas, líderes empresariais e formuladores de políticas públicas, destaca que conflitos geopolíticos, eventos climáticos extremos, riscos tecnológicos e desinformação estão entre as principais ameaças para os próximos anos.

Diante desse cenário, a pergunta das empresas mudou.

Antes:

“Como evitar um problema?”

Agora:

“Estamos preparados para responder quando esse problema acontecer?”

Essa mudança de mentalidade diferencia empresas vulneráveis de empresas resilientes.

 

O risco não pertence mais a uma única área da empresa.

Durante anos, era comum associar cada risco a um departamento específico:

Tecnologia cuidava da segurança digital.
Operações cuidavam dos acidentes.
Jurídico cuidava dos processos.
Financeiro cuidava dos impactos econômicos.

Mas os acontecimentos recentes mostraram que essa separação não representa mais a realidade.

Os riscos modernos atravessam toda a organização.

Um ataque cibernético, por exemplo, pode começar na área de tecnologia, mas rapidamente afetar:

  • Receita;

  • Clientes;

  • Reputação;

  • Obrigações regulatórias;

  • Valor da empresa.

O mesmo acontece com riscos ambientais, financeiros e humanos.

Hoje, um risco pode comprometer pessoas, processos, patrimônio, fornecedores e a própria continuidade do negócio.

 

O Brasil já sente os impactos desse novo ambiente.

O mercado brasileiro de seguros vem crescendo à medida que empresas reconhecem a importância de proteger seus patrimônios e operações.

Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), o setor supervisionado arrecadou R$ 435,56 bilhões em 2024, crescimento nominal de 12,2% em relação ao ano anterior.

No mesmo período, indenizações, benefícios, resgates e pagamentos retornados à sociedade alcançaram R$ 241,42 bilhões.

Esses números mostram uma mudança importante:

O seguro deixou de ser visto apenas como uma contratação obrigatória e passou a ser reconhecido como uma ferramenta estratégica de proteção e continuidade empresarial.

Mais do que contratar uma cobertura, empresas precisam compreender suas vulnerabilidades e construir uma estratégia alinhada à sua realidade.

 

Três riscos que estão mudando a estratégia das empresas:

 

1. O avanço dos riscos cibernéticos

A transformação digital trouxe eficiência, mas também aumentou a exposição das empresas.

Hoje, uma organização pode ter sua operação comprometida sem que exista qualquer dano físico.

Sistemas podem ficar indisponíveis.

Dados podem ser comprometidos.

Operações inteiras podem ser interrompidas.

Um estudo realizado pela Mastercard em parceria com o Instituto Datafolha revelou que 64% das empresas brasileiras entrevistadas afirmaram sofrer tentativas de fraude ou ataques digitais com frequência média ou alta.

O impacto de um ataque pode envolver:

  • Paralisação operacional;

  • Perdas financeiras;

  • Vazamento de informações;

  • Multas e obrigações regulatórias;

  • Processos judiciais;

  • Danos à reputação.

O risco cibernético deixou de ser um assunto exclusivo da tecnologia. Ele se tornou uma questão estratégica de negócio.

 

2. A intensificação dos eventos climáticos

Nos últimos anos, empresas brasileiras passaram a lidar com eventos cada vez mais frequentes:

  • Enchentes;

  • Secas prolongadas;

  • Ondas de calor;

  • Interrupções logísticas;

  • Impactos na cadeia de fornecedores.

Segundo o World Economic Forum, os riscos ambientais, especialmente eventos climáticos extremos, permanecem entre as principais ameaças globais de longo prazo.

Para as empresas, isso significa olhar além dos próprios ativos.

É necessário avaliar:

  • Fornecedores;

  • Cadeia logística;

  • Localização das operações;

  • Dependência de recursos naturais;

  • Capacidade de recuperação.

A resiliência climática exige planejamento, análise de cenários e uma estratégia de proteção adequada ao perfil de cada negócio.

 

3. O aumento da responsabilidade dos líderes

Executivos e administradores tomam decisões diariamente que podem gerar impactos financeiros, jurídicos e reputacionais.

Temas como:

  • Governança;

  • Compliance;

  • Privacidade;

  • Segurança;

  • Sustentabilidade;

aumentaram a responsabilidade dos gestores e conselhos.

A proteção dos líderes deixou de ser uma preocupação exclusiva de grandes multinacionais e passou a fazer parte da realidade de empresas de diferentes portes.

Em um ambiente cada vez mais regulado e conectado, decisões estratégicas precisam estar acompanhadas de uma visão estruturada de proteção.

 

A pergunta que toda empresa deveria fazer.

A questão mais importante não é:

“Temos seguro?”

A pergunta correta é:

“Conhecemos todos os riscos que podem comprometer nosso negócio?”

Uma estratégia eficiente de proteção começa antes da contratação de qualquer solução.

Ela começa com:

  • Entendimento das exposições;

  • Análise dos impactos financeiros;

  • Definição de prioridades;

  • Avaliação de cenários críticos;

  • Escolha das ferramentas adequadas.

Empresas resilientes não eliminam todos os riscos. Elas desenvolvem capacidade para administrá-los.

 

Preparação é uma vantagem competitiva.

Não existe empresa sem risco.

Existe empresa preparada e empresa despreparada.

A diferença está na capacidade de antecipar cenários, tomar decisões melhores e criar mecanismos que preservem aquilo que levou anos para ser construído:

Patrimônio.
Pessoas.
Reputação.
Relacionamento com clientes.
Continuidade do negócio.

Na Baylis, acreditamos que gestão de riscos não deve ser uma resposta depois que algo acontece.

Ela deve fazer parte da estratégia de crescimento de uma organização.

Porque proteger o futuro começa entendendo os riscos do presente.

 
Fontes consultadas

World Economic Forum – Global Risks Report 2025
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) – Dados do setor supervisionado em 2024
Mastercard Newsroom / Instituto Datafolha – Estudo sobre fraude e ataques digitais em empresas brasileiras
Baylis Insights

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